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As serpentes pertencem a subordem Ofidia, ordem Squamata e Classe Reptilia, onde suas características principais são
a ausência de membros locomotores, pálpebras móveis e orifício auditivo e uma característica especial que faz com que tenham
uma grande abertura da mandíbula, possibilitando engolir presas maiores que sua boca. Habitam todas as regiões da Terra, como nos mares, terra e rios,
sendo mais encontradas em climas quentes, mas aparecem em climas temperados ou frios. Os esqueletos das serpentes compõem-se de cabeça, vértebras e costelas.
Na cabeça das serpentes existe um osso chamado quadrado que permite um grande recuo da mandíbula para baixo, possibilitando
a abertura da boca até um ângulo de 180 graus, por isso podem engolir presas maiores que a boca. As vértebras das serpentes possuem aproximadamente 200, podendo
chegar a mais do que isso nas grandes serpentes como as sucuris. A pele é muito elástica e dilatável, o que vai auxiliar também
na alimentação quando engolem presas muito grandes. Não mastigam suas presas, usam os dentes apenas para segurar o
alimento, onde nessa etapa o veneno age com uma ação digestiva, sua língua é alongada e bífida que tem como função recolher
partículas que são levadas a um órgão sensorial (órgão de Jacobson) que tem função entre olfativa e gustativa. As serpentes mesmo depois de mortas, apresentam movimentos reflexos,
contraindo seus maxilares, o que pode ser perigoso quando se tratar de uma serpente peçonhenta, que pode ter o risco de conter
veneno nos dentes inoculadores. O órgão sensorial mais importante das serpentes peçonhentas, com
exceção da coral verdadeira, á a fosseta loreal, que é um sistema termo-receptor bem desenvolvido. É através da fosseta que
elas percebem a aproximação de animais, principalmente os de sangue quente. Conseqüentemente usando para defesa e procura
por alimentos. As serpentes podem ser ovíparas (põem ovos), ocorre três
a quatro meses de fecundação, depois os ovos são depositados e envoltos por um líquido viscoso que os mantêm unidos, a desova
é feita em locais úmidos e quentes onde as serpentes abandonam seus ovos, com exceção das surucucus. Os ovos incubarão num
período de aproximadamente de três meses ou mais. e ovovivíparas (os filhotes se desenvolvem quase que inteiramente
dentro do oviduto, ainda no próprio ventre materno), esse processo demora mais ou menos três meses ou mais para incubar até
o nascimento dos filhotes. Os alimentos das serpentes são roedores, pequenos répteis, anfíbios,
lagartixas, outras serpentes, mamíferos. A alimentação vai depender da espécie e seu habitat . As serpentes fazem troca de pele, onde precisam de um local para
se esfregarem para que a pele velha saia, inclusive o olho possui uma pálpebra fixa que sai junto com a muda (troca de pele). Encontramos serpentes terrestres e aquáticas, e ainda outras que
vivem tanto na água como na terra, as serpentes peçonhentas são mais encontradas nos campos ou áreas cultivadas do que no
interior de florestas, isso é devido a alimentação, onde nos campos elas encontram mais roedores, seu alimento principal.
A muçurana é a serpente que se alimenta principalmente de ofídios peçonhentos. A importância ecológica das serpentes é a de
fazer o controle de roedores por exemplo, que se exterminássemos todas as serpentes, haveria um super crescimento da população
de roedores. Em relação aos dentes, classificamos as serpentes como: Áglifa: Apresentam dentes maciços, sem canal
central ou sulco, não dispondo de presas
inoculadoras de veneno. Como exemplo temos a Família Boidae (sucuris, jibóia), e algumas da Família Colubridae (dormideira). Opistóglifa: Apresentam um ou mais pares de dentes
posteriores, contendo um sulco por onde escorre o veneno. Como as presas são posteriores, os acidentes são mais difíceis de
ocorrer. Ex. Família Colubridae (falsa coral). Solenóglifas: Apresentam
presa anterior e caniculada, como se fosse uma agulha de seringa. Família Crotalus(cascavel), Bothrops(jararaca) e Lachesis(surucucu). Proteróglifas: Apresentam os dentes com um sulco
muito profundo ao longo do seu comprimento, chegando a formar uma espécie de canal central por onde passa o veneno. Quatro gêneros de serpentes são de importância médica no Brasil, o gênero Crotalus (cascavel), o Bothrops (jararacas),
Lachesis (surucucu) e o Micrurus (cobra-coral).
As jararacas (Bothrops sp) possuem vários nomes vulgares como jararaca do rabo branco, urutu cruzeiro, cruzeira, jararacuçu,
etc. Podem atingir mais de um metro de comprimento, ocorrendo em vários Estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São
Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso. Cada espécie tem desenhos característicos no
corpo, variando em relação a espécie, em se tratando da cauda, as jararacas tem a ponta da cauda com escamas não eriçadas.
Temos sete espécies mais comuns no Brasil que são: -
Bothrops
alternatus -
Bothrops
atrox -
Bothrops
cotiara - Bothrops jararaca - Bothrops jararacussu -
Bothrops
moojeni -
Bothrops
neuwiedi
As jararacas são responsáveis por 90% dos acidentes
ofídicos no Brasil, devido ao seu aparecimento em áreas rurais, e ou regiões onde exista perto vegetação densa, ambientes
úmidos, pois elas acabam por vir atrás de alimentos como os roedores. De acordo
com o Ministério da Saúde, ocorrem anualmente mais de 17.000 acidentes botrópicos.
Seu veneno tem três tipos de ação: AÇÃO PROTEOLÍTICA: onde decorrem da atividade de proteases, hialuronidases e fosofolipases, liberação de mediadores
da resposta inflamatória, ação das hemorraginas sobre o endotélio vascular e ação procoagulante do veneno. AÇÃO COAGULANTE: a maioria dos venenos das jararacas ativa, de modo isolado ou simultâneo, o fator X e a protrombina.
Possui ação semelhante a trombina, convertendo o fibrinogênio em fibrina. Essas ações produzem distúrbios da coagulação, que
se caracteriza pelo consumo de seus fatores, geração de produtos de degradação de fibrina e fibrinogênio, o que pode causar
incoagulabilidade sangüínea. AÇÃO HEMORRÁGICA: a ação das hemorraginas, provocam lesões na membrana basal dos capilares, associadas
a plaquetopenia e alterações da coagulação.
Podem ocorrer manifestações locais como edema endurado, dor de intensidade variável, equimoses e sangramentos no ponto
da picada, infartamento ganglionar, bolhas, acompanhados ou não de necrose. Podem ocorrer também náuseas, vômitos, sudorese,
hipotensão arterial e às vezes choque.
O tratamento se faz através de administração de soro antibotrópico o mais rápido possível, se for diagnosticado que
a picada foi de uma jararaca, manter elevado o membro picado, aplicação de analgésicos para conter a dor, manter a vítima
hidratada, e fazer uso de antibióticos.
Os acidentes com cascavéis, atingem 7,7%, apresentando o maior coeficiente de letalidade devido a freqüência com que
evolui para insuficiência renal aguda. As cascavéis tem como característica de identificação, o chocalho ou guizo na ponta
da cauda, que nada mais é do que vestígios das trocas de pele, sendo errôneo calcular sua idade através dele. São animais
que preferem regiões mais áridas, mais secas e geralmente são encontradas em áreas mais afastadas. Seu veneno apresenta-se em três ações: AÇÃO NEUROTÓXICA: ocorre devido a fração crotoxina, uma neurotoxina de ação pré-simpática que atua
nas terminações nervosas inibindo a ação da acetilcolina, sendo o principal fator responsável pelo bloqueio neuromuscular,
o que vai ocasionar as paralisias motoras. AÇÃO MIOTÓXICA: produz lesões de fibras esqueléticas com liberação de enzimas e mioglobina para o
soro e são posteriormente excretadas pela urina. Ainda não está identificada a fração do veneno que produz esse efeito miotóxico
sistêmico. AÇÃO COAGULANTE: o consumo de fibrinogênio pode levar a incoagulabilidade sangüínea, geralmente sem
redução do número de plaquetas.
O acidentado pode não sentir dor ou ser de pouca intensidade, os sintomas conseqüentes podem ser mal-estar, prostração,
sudorese, náuseas, vômitos, sonolência, secura da boca, fácies miastêmicas, alteração do diâmetro pupilar, oftalmoplegia,
visão dupla, aumento do tempo de coagulação.
tratamento deve ser feito através da administração do soro anticrotálico
por via intravenosa, variando a dose dependendo da gravidade da picada. A hidratação
do paciente é importante, deve ser induzida a diurese osmótica, e manter o pH urinário acima de 6,5 pois a urina ácida aumenta
a precipitação intratubular de mioglobina.
Os acidentes com as lachesis, são muito raros, devido ao seu habitat específico, onde a densidade populacional é baixa.
As surucucus, tem o corpo amarelado com desenhos escuros, e a identificação é feita através da cauda que possui escamas eriçadas,
são mais agressivas.
A ação do veneno é dividida em quatro que são Proteolítica, Hemorrágica, Neurotóxica e Coagulante, sendo semelhantes
a do veneno botrópico.
Como tratamento específico, deve ser administrado o soro antilaquético
(SAL) ou o soro antibotrópico-laquético (SABL) por via intravenosa, utilizando-se para isso de 10 a 20 ampôlas. São
as serpentes do grupo Elapídico, com porcentagem de 0,4% dos acidentes ocorridos no Brasil.
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